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28 de abr de 2013

CARTA DA PATROA




CARTA DA PATROA

Prezada empregada doméstica,        Quero cumprimentá-la porque, finalmente, a sua classe passou a ter os mesmos direitos do restante dos trabalhadores do nosso país. Agora as suas horas extras serão remuneradas, você terá direito ao FGTS, seguro desemprego, intervalo na jornada de trabalho e mais uma série de benefícios. Parabéns pela conquista !
Mas, posso informar-lhe que, para mim, pouca coisa mudará... Afinal estou acostumada ao dia a dia do mercado de trabalho e, com certeza, saberei me adaptar rapidamente às novas regras. Apertando um pouco mais o orçamento, conseguirei pagar todos os ônus da nova lei, porém me preocupo com o novo tratamento que terei de dar a você, pois “para todo bônus, o seu ônus”.
Você será reconhecida por mim, financeiramente, mas precisará comprovar-me que está apta a ser tratada como profissional. Adeus às velhas desculpas de que o ônibus atrasou... Agora tenho que registrar sua entrada  e sua saída, para computar as horas extras a que você tenha direito...
Não me peça para não descontar suas faltas! Inevitavelmente terei  que contribuir para  um fundo de garantia por seu tempo de serviço [FGTS] e, por isso, você precisa vir trabalhar.
Lembre-se, também, que não aceitarei as desculpas de que você não sabe cozinhar, passar, lavar roupas, pois estas aptidões são necessárias para o seu trabalho. Siga as minhas orientações e cumpra as minhas determinações.
Para atender às necessidades do meu lar, tal como acontece nas empresas (veja o comércio), busque a capacitação e a reciclagem, esteja atenta às boas relações interpessoais, para que eu possa honrar com prazer os seus direitos ora adquiridos.
Não vale mais ser doméstica e estudar datilografia (ah! Isso era antigamente, agora é informática...), ou passar horas mexendo e aprendendo tudo do celular ou ouvindo radinho sem se importar em esmerar-se para atender às necessidades do meu lar, pois isso é o que o seu emprego requer!... Deixe o lazer para o período de descanso...
Você alcançou uma posição privilegiada, é uma profissional com todos os direitos da Consolidação das Leis do Trabalho, igual a qualquer empregado de uma empresa, embora meu lar e a minha família não se enquadrem nessa categoria e não tenham fins lucrativos. Portanto, acostume-se a ser advertida, afinal tarefas não realizadas contarão também para demissão por justa causa.
Prejuízos ocasionados pela má utilização dos pertences de minha residência [seu local de trabalho], serão tratados como patrimônio, que você terá obrigação de zelar e ressarcir-me, caso venha a danificá-lo. E isso inclui as minhas roupas que você costuma manchar ao lavar e/ou queimar ao passar. Mas não se preocupe, quando eu fizer a reposição do item por outro igual, apresentarei o cupom fiscal a você.
Sentirei no bolso,  é verdade, mas a grande privilegiada será você, pois até que enfim alguém pensou em sua classe, no seu crescimento pessoal e profissional, espero que com a aquisição de todos esses benefícios você consiga manter-se no mercado de trabalho, buscando sempre o aprimoramento profissional.
Espero, ainda, que esse pouco dinheiro que chegará às suas mãos, uma vez que grande parte dele vai mesmo ficar para o governo, lhe dê condições de sustentar a sua família, pagar os cursos que você precisa fazer e ainda assim ser a amiga e companheira que nos auxilia ao longo de nossas vidas. Infelizmente, como a nossa relação profissional será igual a de todos os empregados, as consultas e os exames médicos que sempre paguei para você, evitando as desumanas filas do SUS, não mais poderei fazê-lo .Os políticos certamente  eliminarão as filas do SUS, evitando, assim, que você se prejudique  faltando ao trabalho
Atentando para tudo isso, nossa relação de amizade não sofrerá a menor mudança. Respeito o seu trabalho, preciso de sua ajuda em meu lar e confio no seu potencial. Por isso, espero que essa nova lei seja um marco para nós duas.
Um abraço e muito sucesso para você!
Sua patroa. 

Autor Desconhecido
Este foi um e-mail que recebi esta semana. E achei oportuno postar aqui.
Confesso que a "PEC das Domésticas" me atingiu em cheio. Sempre assinei carteira e fazia tudo que mandava a LEI. E fechava os olhos para muita coisa a fim de conservar uma empregada doméstica em casa.
Tenho, a minha mãe, já idosa com 94 anos e trabalho a tarde, das 12 as 18 horas. Não posso deixá-la sozinha. E a empregada quando percebe que temos necessidade da sua presença, elas se aproveitam.
Não tem profissionalismo, comprometimento, responsabilidade e honestidade. HONESTIDADE sim.
Ser honesto, não é só aquela pessoa que não pega no alheio. É também aquela(e) que cumpre as suas tarefas. E o que vejo, em sua grande maioria, é empregada doméstica enrolada, sempre dando desculpas, nada fazem a contento.  Mas querem todos os seus direitos. A mídia só fala nos direitos delas.
Aceito cumprir a LEI, mas cadê a doméstica preparada, qualificada para assumir o cargo!?
Estou procurando. Aqui não tem. Como vocês estão encarando isso?
Boa semana meninas.
Beijos domésticos,
Bel

5 comentários:

  1. Querida Bel,

    Amei o texto e o seu desabafo!
    Realmente falta a política da boa consciência com relação às empregadas domésticas que determinam os deveres dos patrões à classe, mas que ultimamente tem pouco a oferecer a eles.
    Eu não tenho empregada, mas ouço muitas reclamações do pessoal quanto à eficiência e capacidade das mesmas que deixam a desejar.
    Outra coisa, a liberdade excessiva é algo que não deveria existir entre patroas e empregadas.
    As novelas estampam muito bem essa realidade que atrapalha o funcionamento do serviço doméstico, sem dúvida.
    O fato é que elas deveriam ser profissionais capacitadas como qualquer outra profissão exige.
    Mas até isso acontecer muitas águas irão rolar, amiga!
    Um abraço forte neste domingo bonito!
    Quem sabe um dia você encontra uma profissional legal, afinal, você merece!

    Bjksss

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    1. Amável Nadja,
      É sempre uma alegria a sua visita.
      Na PEC as domésticas são funcionárias capacitadas e eficientes, mas na realidade elas estão aquém de distância.
      Estou cansada. Não sei se vou dar conta de tanta coisa.
      Mas vou acreditar no Bom Deus...
      Beijos,
      Bel

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  2. Amiga Bel,

    Meu e-mail é: nadjaprado@yahoo.com.br

    Por favor, escreva para mim, pois preciso falar com você, tá bom?

    Fica com Deus!

    Bjksss

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  3. Oi, Bel!

    Não fique triste se não "comento" muito, é que em casa quase não ligo o computador, e nos postos só consigo ver, comentários são bloqueados...
    Quanto à PEC... já estava há uns treze anos sem empregada mensalista - de vez em quando arranjava uma faxineira. Em novembro, decidi contratar uma. Como sempre, assinamos a carteira e pagamos tudo nos conformes; além de ela ter folga quando estamos viajando, além dos domingos ( o que dá uns 10 a 12 dias no mês, sem desconto no salário!). Por enquanto, os prós são maiores que os contras - apesar de nunca fazerem as coisas como nós mesmas fazemos, né? Por precaução, adotamos a folha de ponto diária, e cuidamos para que não trabalhe além do horário. Como você disse, todo mundo fica falando dos direitos - e é justo, mas estão se esquecendo da contrapartida. Vejamos no que vai dar (olha o exemplo dos EUA e Europa).
    Ah, sim, os últimos posts estão belíssimos!
    Beijos,
    Leslie.

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  4. Oi, Bel,

    Gostei muito desse seu texto.

    Sim...os direitos estão atrelados aos deveres, à competência para exercer aquela determinada função e nesse caso, achar uma pessoa com o mínimo de comprometimento é mosca branca!!!!

    Há anos que tenho apenas diaristas. Tenho 2 e um rapaz que me ajuda com os animais...(passeios e banhos).

    Que gracinha sua mãezinha...94 anos!!! Ela está lúcida??

    Paizinho com 89 e tem alzheimer. Eu e mamys cuidamos dele.

    Tenha um lindo dia,

    beijinhos,

    Lígia e =^^=

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Izabel Cristina